13 de jul. de 2010

Esses dias me aprocheguei lá na baia dos meus amigos paulistas, me abanquei e pedi pro meu conterrâneo:

- Ô tchê, me vê um amargo aí.

Não sei porque nesse momento um deles teve um baita espanto e pergunta:

- tá pedindo o que mano?

- Um amargo, um chimarrão... Aquilo que a gente tome lá no Sul tchê, põe erva dentro da cuia e bebe a água com a bomba.

- Bomba? Erva? Mano... Isso aqui é uma casa de respeito... Falow!

Até explicar o ocorrido já era noite e tava uma aragem fria de renguear custo lá fora.
Todos sentados perto da janela trovando, começamos a ver um entrevero lá fora, uma bruaca velha saiu correndo do bolicho toda faceira pra encontrar um piá que tava chegando todo esgualepado.
Descemos pra ver o que se passava e o guri começa a contar o causo...

"Um galo velho roubou minha guaiaca que tava em cima do bidê da minha prenda. Achei que a mulher tava a me meter guampa (onde já se viu homem na minha casa), mas ela me contou o sucedido e eu saí atrás do vivente. Subi uma baita lomba atrás do safado, fiz a curva e peguei ele em cima do laço, tava quase a subir no cavalo. Foi uma indiada, mas recuperei meu dinheiro. A mulher veio aqui chorar as pitangas com a mulher do compadre não sei porque"


Entenderam?
Viu, não é necessário a tecla sap pra entender o gauchês, como dizem meus amigos por aqui...

uma professora de inglês que gosta de contar...

conto a partir de hoje, os dias
73...

12 de jul. de 2010


Mãos ao alto, professora

Jornal Correio do Povo, de Porto Alegre-RS, página 4 da edição de 17.06.2010



www.correiodopovo.com.br

juremir@correiodopovo.com.br

As palavras mudam de sentido. Muda uma letra, ou duas, e muda tudo. Craque virou crack. Vida de professor transformou-se em atividade de alto risco. Uma professora foi assaltada, em Porto Alegre , dentro da sala de aula, por um adolescente armado com um revólver enferrujado, calibre 32. O guri era ex-aluno da escola. Houve um tempo, perdido nas brumas do passado, em que professores e salas de aula eram sagrados. Levava-se maçã para a professora. Muitas vezes, a professorinha era o primeiro amor, idealizado, impossível, platônico, de um menino. A sala de aula era o lugar da autonomia do mestre, um templo, um palco, a esfera maior do conhecimento. Acabou.

As balas de hoje destinadas aos professores são de revólver. A situação é tão melancólica, para bem e para mal, que o assaltante não tinha munição. Roubou R$ 10,00 da professora. Essa quantia diz muito, diz tudo, grita como o sintoma de uma doença grave, um mal que está aí, bem aí, mas vai sendo empurrado com a barriga. Talvez a professora assaltada seja uma pessoa sensata, aos 58 anos de idade, e não vá para a escola com muito dinheiro na bolsa. Ou quem sabe, escolada, como todos nós, carregue apenas o dinheiro do transporte e o dinheiro do ladrão. Mais provável é que uma professora, na metade do mês, não tenha mais do que R$ 10,00 para carregar no bolso. Esse é o estado das coisas, o estado ao qual chegamos, o caos.

E os governos, que ainda não fizeram a parte deles, não garantiram sequer a integridade dos professores, desandam a falar em meritocracia, transferindo para os professores, que ganham pouco e são agora assaltados dentro das salas de aula, a responsabilidade pela falência do sistema. Ao defender a tal meritocracia, os tecnocratas e os políticos, falsamente racionalistas, estão dizendo que se algo vai mal é por culpa da preguiça ou da incompetência dos professores. Essa é uma das maiores infâmias destes dias melancólicos em que, paradoxalmente, fala-se em sociedade da informação, mas se faz do saber uma categoria de quinta classe. Escolinha como objeto de desejo de pais e alunos , só de futebol. Nelas, talvez o mestre ainda seja respeitado e receba doces. Nem que seja por medo de se perder lugar no time.

Eu ainda sonho com um Brasil voltado para a escola como espaço sagrado. Isso só acontecerá a partir do momento em que se considerar o ensino como primordial e os salários forem melhorados a ponto de alterar a vida cotidiana e cultural dos mestres. Um professor precisa ganhar o suficiente para comprar livros todo mês, ir ao cinema, ao teatro, a shows, a bons restaurantes, viajar e sempre ampliar horizontes. Quem não valoriza, não pode cobrar desempenho. Mesmo assim, como se diz popularmente, os professores desempenham, "na moral". Sonho com o dia em que será impossível um ex-aluno ou um aluno apontar uma arma para uma professora. Por respeito, por veneração, por amor. Ou, cinicamente, sonho com o dia em que, ao menos, a professora terá R$ 50,00 na sua bolsa.

11 de jul. de 2010




"Quando estou só, sozinha..." penso em coisas boas, e coisas boas são minha cama, chocolate e suco de laranja. Penso em dinheiro, pés descalços na grama, amigos e chimarrão. Penso também em pastel, sagu, pudim e todas as guloseimas que eu ainda sinto o gosto, embora 9 meses sem comer. Coisa boa é o barulho da chuva que desejo ouvir logo mais, folga na segunda e acordar com meu amor. Penso e penso muito, e penso mais a cada momento...

Quando penso, lembro das coisas boas que me esperam, fofoca com as amigas, compras, festinhas e bebidinhas pra dar uma descontraída. Penso também nas coisas boas que vivi aqui, as coisas que vivenciei, pessoas que conheci e momentos que suspirei.

Ai coisa mais boa do mundo poder olhar para trás e pensar que fiz tudo certinho, mesmo não tendo premeditado o certo ou errado. Pensar que o certo pode continuar no caminho que está e que o errado passa bem longe de mim.

Isso, pelo simples prazer de um dia acordar e querer "mandar flores ao delegado", desejar bom dia e sorrir pelo simples fato de viver. Pense nisso...
Em um domingo, cansada após trabalho, com dor de cabeça, a única coisa que eu queria era ir para casa, tomar um banho e cama!
Foi aí que eu passei na frente de um bar e vi quatro amigas sentadas jogando conversa fora. Nesse momento, minha vontade foi ir pra casa de Porto Alegre!!! Saco...


Todo mundo me avisou que ia ser difícil enfrentar as barreiras culturais, entender os diferentes sotaques, adaptar-se à comida e à rotina, mas ninguém me avisou que ia ser tão difícil ficar longe das amigas.
As de verdade, aquelas pra toda hora, pra todos os dias...
Aquelas de ficar horas no telefone, ou de enviar sms de graça, (afinal, amigas compram seus celulares na mesma operadora).
Ninguém me avisou que seria tão difícil querer se expressar com alguém e não conseguir, pelo simples fato de querer dividir certos momentos com velhas amigas, as amigas de sempre, para sempre...

4 de jul. de 2010

Em seu primeiro contato, ela chorava... Não de tristeza, mas de raiva por ter perdido. Perdido a linha, perdido a paciência, perdido dinheiro e perdido a esperança de dias melhores no mundo verde. Nunca imaginara o que o destino reservara a esses jovens de origens semelhantes e objetivos diferentes. Com o tempo, entendera que tudo estava traçado e que não adiantava lutar contra (sentimentos, emoções e desejos), e que o importante era viver cada minuto, sendo ele bom ou ruim. Já foi dito antes, pelo menos umas 3 vezes que, o ruim serve de aprendizado e o bom serve para encobrir o não desejado...

Hoje, em um de seus milionésimos encontros, ela sorria...
Resolvera amar intensamente!

2 de jul. de 2010

Pois então, acabou a Copa do Mundo para o Brasil.

Pela primeira vez passei a Copa (ou metade dela) assistindo aos jogos sem a 'terrível' narração do Galvão Bueno. E tenho a dizer que estou feliz - em parte - por isso.
Se apenas lendo os jornais online do Brasil já estava de saco cheio do tal de "cala a boca Galvão" e das benditas vuvuzelas... Provavelmente já estaria estressada se tivesse ouvindo ao invés de lendo tudo isso... Oh não! Tenha a santa paciência!

Mas por outro lado, as narrações por aqui para mim são um tanto quando sem graça. Se você não está olhando a tv e apenas ouvindo, só dá pra saber que lá vem algum lance bom porque as torcidas gritam, pois o pobre narrador não se manifesta nunca, nem para mais, nem para menos... Serenidade é seu nome.

Senti falta do mala gritando gooooooooooooooooool infinitamente e da vibração brasileira a cada passo certo.
Hoje, a única manifestação exaltada do narrador foi para dizer que o Brasil estava fora...
O cara passou 90 minutos sem esboçar reação alguma, e quando acaba ele grita Brazil is out!!!!!!!!! O que subentende-se?


Cada um que tire sua conclusão...

1 de jul. de 2010

- Não gosto disso, se eu fosse tu não comprava!

- Ah mas eu gosto tanto...

- Isso é ruim, prefiro o outro...

- Mas o outro é amargo

- É por isso que eu gosto, me identifico.

- E eu me identifico com o doce.





Tempos depois...




- Estranho, jurava que tinha comprado e que tinha deixado-o aqui.

- Eu comi...

- Mas era doce!

- É que não quis gastar o meu.


Moral da história: Avareza x Ela mesma

29 de jun. de 2010

a palma da mão coça

coça por novidade
por criatividade
por coragem

coça por esperar
o novo
o útil
o inusitado




coça por paixão
por emoção
sem razão

coça por dinheiro
números inteiros

coça coça coça
sem parar
sem dormir

coça coça coça
a palma



palmas...
estou apaixonada...
e esse post não é sobre relacionamento!

estou apaixonada pelas criancinhas do meu trabalho
aqueles pequeninos inocentes que tornam meu dia muito mais divertido e leve
com suas bochechas rosadas e olhinhos azuis, não resisto!
quando os ouço com a vozinha suave querendo puxar papo comigo, me convidando para brincar faz com que eu esqueça os problemas diários
minha paciência aparece, minha alegria revigora, e a vontade de brincar é maior que qualquer coisa

e é óbvio que dentre tantos amiguinhos, tenho meus preferidos: Louis and Lian
Louis é um garotinho encantador, com babelos cacheados, parece um anjo
nunca vai embora sem seu macaquinho de pelúcia e quando me dá tchau, faz gesto do macaquinho dando tchau também. parece eu com o Billy e a Pota
Lian é um doce, timído e de sorrisinho espontâneo. se esconde atrás da mamãe para fazer charme, mas quando não estou olhando para ele, ele começa a puxar assunto

como não se apaixonar?
aprendo com eles o tempo todo

me apaixono todos os dias
sempre por um gesto diferente