13 de ago de 2009

Às vezes algumas lembranças me perturbam em momentos inusitados, como aquela vez que se pulou a janela para namorar ou daquela outra em que a prima quase foi morta por causa do doce de leite...
Mas a lembrança da vez é da época do cursinho pré-vestibular.
Tinha uma menina chata e esnobe que não se misturava com ninguém, mas essa não misturação era apenas na aula dele, na aula do professor de inglês.
Ela ia linda para aula, seu cabelo sempre escovado e um perfume adocicado que pairava pelos corredores sempre ququando passava.
O professor, como belo homem safado, a provocava o máximo que podia, sempre chegando perto com aquela respiração quente ao pé do ouvido da pobre moça, e a desculpa era a mesma, tirar dúdidas... Dúvidas essas que a menina nunca tinha, era um gênio na língua inglesa.
Até que em uma noite insuportavelmente quente deu-se a notícia: o professor estava indo embora.
De primeiro momento o que se pensa: ah, está indo embora da scola, posso esbarrar com ele por quaquer canto, afinal, Porto Alegre é um ovo... Mas não, o lindo e atraente professor estava indo embora do Brasil.
Nossa, o mundo desaba na sua cabeça em questão de segundos.
Nessa noite ela estava especialmente linda, com uma blusinha branca e detalhes vermelhos nas mangas onde tinha escrito "love, love, love" milhares de vezes, uma calça larga de cintura baixa (afinal, seus 17 aninhos permitiam uma barriga de fora) e seu cabelo, insuportavelmente liso e brilhoso. O perfume era sempre o mesmo, mas parecia que se intensificava quando ela ficava nervosa.
Naquele dia ela pegou o elevador com ele do 5º andar até o térreo e esperou uma despedida calorosa. A única coisa que recebeu foi um tchau e um abraço. E nunca mais se viram...

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