29 de dez de 2010

não sei porque motivo, mas às vezes lembramos de pessoas que não falamos há muito tempo em um momento cotidiano ridículo. hoje estava lendo um livro no trem e lembrei do A. (que vou preservar o nome para não elevar muito o ego desse cidadão).
A. é um irlandês que conheci um ano atrás, e sem mais delongas, me limito a dizer que A. ganhou um "a" no meu conceito após algumas semanas.
lembro que nos primeiros dias A. sequer me dava oi. de certo me achava estranha, ou não entendia meu inglês americanizado, ou na pior das hipóteses, me via como mais uma imigrante sem futuro colocando batata frita em um saquinho de plástico.
enfim, o tempo foi passando e A. foi se aproximando e descobrindo que temos mais em comum do que muita gente por aí, mesmo com nossos 6 anos de diferença.
ele, com seu jeito moleque, calça larga e tênis de skatista não me transmitia nada mais do que ser um típico adolescente irlandês que se deslumbra com uma lata de cerveja e uma menina bêbada de salto alto.
e eu, provavelmente era para ele uma brasileira chata com olhar desconfiado e com cara de poucos amigos.
até que veio o assunto literatura. "é isso que une o mundo" diziamos nós.
após a incrível descoberta de que eu já havia estudado o que ele estava descobrindo naquele momento foi mágico, pois passamos, desde então, a nos ver com outros olhos, com olhos de quem pensa com a alma e não apenas com a cabeça.
passamos horas, semanas, meses trocando idéias, informações, livros, poemas e tudo o que o mundo dos livros nos proporciona de encantador e percebi que por mais que ele fosse um "adolescente maluco" ele tinha por trás daqueles olhos azuis muito mais do que isso, e o mesmo da minha parte.
às vezes julgamos as pessoas sem conhecer a essência e hoje, por motivo desconhecido, a essência dele me veio à memória e uma de suas muitas frases: "não gosto de trabalhar com as mãos".

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