15 de nov de 2012

então... três anos se passaram.
escrevi e parei e escrevi e parei de escrever nesse meio tempo. e acredito que só uma pessoa que me conhece muito e que tem uma sensibilidade enorme de entender o que me faz bem ou não poderia me pedir, delicadamente, que retomasse as rédias do blog abandonado.
era meu antepenúltimo dia em dublin. uma amiga vem com aquela sacolinha tímida e me diz ser presente de outra amiga, que já tinha ido embora, sem me dar tchau.
mal abri a sacolinha e já vieram as lágrimas. manteiga derretida que sou não pago imposto para chorar. muitas coisinhas lá estavam, mas uma delas era um caderno. e ela disse que esse caderno era para eu voltar a escrever. e assim, o faço nesse momento.

três anos se passaram...
parece que foi ontem que cheguei em dublin com pouco dinheiro no bolso e muita disposição na mala. pronta para enfrentar qualquer coisa que viesse pela frente. e de fato enfrentei.
muitas pessoas ruins, chefes mau-humorados, amigos falsos e perrengues que davam vontade de abandonar tudo e voltar correndo para casa.
por teimosia, nunca voltei. e em alguns momentos achei que nunca mais voltaria.
foram muitas viagens, muitos amigos verdadeiros, algumas casas onde morei, alguns empregos, muitas jantas, almoços e cafés da manhã inesquecíveis. foram infinitos cafés, aventuras culinárias, compras e tardes maravilhosas com as amigas.
alguns amores, outros desamores... tantas recordações que quase não cabem na memória.
muitos dias cinzas, frios, embaixo do edredon sem querer fazer absolutamente nada.
foram tantas festas, tantos drinks, tantas ressacas... gostava tanto de um pub que fui trabalhar em um. e aí decidi que não gostava mais.
neve, frio, vento, arco-íris, raios de sol (tímidos) e um verão gostoso e rápido como nunca tinha visto.

voltei. nem sei ao certo porque. nem sei ao certo se queria voltar.
deixei amigos, companheiros, confidentes. infinitas lágrimas.
a festa de despedida mais parecia um velório. lágrimas vinham a todo momento e as pessoas dos pubs ficavam olhando para esses doidos que somos e se perguntavam o que estava acontecendo.
agora tenho que aprender a andar na rua, olhar para o lado certo, aprender o nome das ruas, onde curtir uma festa, um barzinho, os preços de cada coisa, que ônibus pegar...

é a vida. uma coisa termina e outra começa, o tempo todo.

Um comentário:

Mr. Lemos disse...

Caramba... mais uma enteada da ilha mágica que foi embora. Boa sorte na nova vida. Tomara que vc seja feliz, mesmo que a saudade nunca te deixe... ;) bjos